terça-feira, 31 de março de 2015

Normal ou cesárea?


Oi, gente. Comecei a escrever esse texto há um tempo, pelo celular, entre uma mamada e outra. Mas aí não salvei (aquela que ainda não aprendeu a mexer direito no aplicativo do Blogger) e perdi tudo. Fiquei chateada e demorei a rescrever. Risos... Fazia tempo que eu queria falar sobre minha sensação durante e após os partos das minhas meninas. Antes de começar nosso papo, quero ressaltar que este texto não tem pretensão nenhuma de discutir que tipo de parto é o melhor. Não sou capacitada para isso. Na verdade, eu acredito que o melhor parto é aquele que deixa mamãe e bebê seguros. E sou a favor do livre arbítrio consciente. A melhor aliada que uma parturiente pode ter é informação. Se eu pudesse dar um conselho para as mamães gestantes, eu diria: se informe. Leia, assista, pesquise. Não acredite que você não pode só porque alguém disse isso. Não se deixe levar pelo julgamento dos outros. Somente com conhecimento de causa podemos tomar a melhor decisão. 

Minha primeira filha nasceu em agosto de 2012 de parto cesárea. 6 meses antes, descobri uma hérnia de disco na coluna que me maltratou demais. Maltratar é um eufemismo. Eu sofri feito um galeto no espeto. Senti dores terríveis na coluna, passei mais de dois meses acamada sem conseguir sequer sentar. Por causa da gravidez, eu não podia tomar nenhum medicamento para aliviar os sintomas. Aliás, eu não pude fazer nem mesmo exame de imagem para saber, de fato, aonde estava a hérnia e em que estágio de gravidade a discopatia se encontrava. Mas, graças a Deus, à fisioterapia e à acupuntura, melhorei muito. A data do parto foi se aproximando e, embora eu quisesse parto normal, essa idéia parecia cada vez mais distante. Tanto a obstetra quanto o traumatologista e os médicos da família eram unânimes em dizer que seria um risco. Não se sabia nada sobre a hérnia e o esforço do parto normal poderia piorar bastante a situação. Conseguiria fazer força na hora do expulsivo? Só Deus sabe. Em todo caso, não quis agendar meu parto. Eu preferi esperar minha filha dar seus sinais de que queria chegar no mundo. Ao menos isso eu fazia questão: respeitar a hora dela. E assim foi. Entrei em trabalho de parto na manhã de sexta-feira. A evolução foi rápida considerando que era meu primeiro filho. No exame de toque, pouco menos de 4h após o início das contrações, eu já estava com quase 5cm de dilatação. Ainda chegamos a cogitar um parto normal, mas abandonamos a idéia quando a obstetra percebeu que tive dificuldade em dobrar a perna. Aceitei a cesárea e rumamos para a maternidade. As contrações ficaram muito intensas, freqüentes e cada vez mais demoradas. Eu sabia que estava chegando a hora de conhecer, enfim, minha menina. Fui levada para a sala de parto e só enquanto eu levantava o tronco para sentar e tomar a anestesia, tive três contrações. Lembro de sentir muito frio após a anestesia. Pedi para me cobrirem um pouco e me senti melhor. Ao contrário do que já li, não tive as mãos presas na maca. Meu marido e meu irmão estavam presentes na sala de parto. Eles ficaram o tempo todo conversando, meu irmão explicando cada tecido que a obstetra cortava. Eu só conseguia pensar que estava cada vez mais perto daquele momento tão sonhado. De repente, mais rápido do que imaginei, ouço o som mais lindo do mundo: o choro da minha filha. Não dá para descrever com palavras o que senti naquele momento. É algo tão intenso que transcende. Difícil explicar. Bastou eu ver o rostinho dela que as lágrimas começaram a rolar dos meus olhos. Lágrimas da mais pura e verdadeira felicidade. Chorei de alegria. Nunca na minha vida (e olhe que tenho uma vida feliz) eu havia experimentado nada nem parecido com aquela alegria que me invadia. Imediatamente, me apaixonei por aquela menininha que surgiu na minha frente. Se eu pudesse resumir em uma palavra o que senti no parto da minha primeira filha, eu diria FELICIDADE


Já no parto da minha caçula, as coisas aconteceram de forma bem diferente. Eu ainda tinha a hérnia e por muito tempo, a idéia de um parto normal não foi bem recebida nem pela obstetra nem pelo traumatologista. Em uma das consultas de pré-natal do terceiro trimestre, manifestei novamente meu desejo de um parto normal. Pela primeira vez, a obstetra disse que poderíamos ver a evolução do TP e, só então, definir que tipo de parto faríamos. O resto da história vocês já sabem [ http://selomamaedequalidade.blogspot.com/2015/02/o-relato-do-nosso-parto.html ]. Meu segundo parto não só foi normal como foi natural. Isso quer dizer que não tive nenhum tipo de sedação ou analgesia. No bom e velho português, foi no seco. Foi bem diferente do meu primeiro parto. Lá, a sala de parto estava em relativo silêncio e, após a anestesia, eu estava calma, tranqüila e sem a dor das contrações. Já no segundo parto, eu gritava de dor. Senti a dor extrema. Senti meu quadril alargar, senti meu canal vaginal dilatar para minha filha passar. Não sei se é a maior dor do mundo. Mas certamente, foi a maior dor que senti. E eu só queria que aquilo tudo acabasse. Fiz muita força. Muita. Tanta, que minha filha nasceu em um único empurrão (e eu sofri uma laceração profunda). Quando ela nasceu, mesmo antes de ouvir seu choro, eu já sabia que ela tinha nascido. Afinal, eu tinha sentido ela escorregar de dentro de mim. E a primeira sensação que me invadiu foi o alívio. Um profundo alívio. A dor vai embora como num passe de mágica. É até difícil acreditar que aquela dor tão intensa pode acabar tão rapidamente sem deixar vestígios. Achei que eu ia continuar a sentir dor, menos intensa. Mas nada. Nem dor, nem ardor, nem latejar. Nada. Se eu pudesse resumir em uma palavra o que senti no parto da minha segunda filha, eu diria ALÍVIO. Somente quando a reencontrei para amamentá-la pela segunda vez (ela mamou no parto) é que as lágrimas rolaram. Não sei dizer o porquê, mas como vocês podem ver pela foto, eu só conseguia sorrir após o parto. Choro de emoção, somente no nosso segundo encontro. 

Conheci os dois extremos: um parto cesárea, onde, embora eu tenha sentido muitas contrações, minha filha "foi nascida" pelas mãos da obstetra. E um parto natural, onde ninguém interveio no nosso momento; eu pari e minha filha nasceu pelas contrações do meu útero, pelas mãos da natureza. Se eu pudesse resumir em duas palavras meu primeiro parto, eu diria FELICIDADE e AMOR. Se eu pudesse resumir em duas palavras meu segundo parto, eu diria ALÍVIO e AMOR

Hoje, posso afirmar o que eu já desconfiava. Filho não nasce de um corte na barriga, tampouco de uma vagina. Filho nasce do coração. É com o coração que a gente dá à luz. 

quarta-feira, 4 de março de 2015

Sobre os tamanhos de cada marca de fralda


Olá, pessoal. Hoje o post será curtinho para falar de algo que percebi ainda com minha primeira filha mas esqueci de comentar aqui. As mães e pais de primeira viagem talvez não percebam que uma fralda tamanho P da marca A pode ser maior ou menor que a fralda tamanho P da marca B. Parece que não há um padrão. Assim como acontece com a indústria da moda, cada fabricante parece ter a sua fôrma.  

Boa parte das gestantes fazem chá de fralda e, assim, recebem pacotes de fraldas de diferentes marcas. Na hora que o bebê nasce, a gente vai retirando os pacotes tamanho P do armário e usando. Mas vale à pena ficar atenta à indicação do fabricante. Aqui estamos usando Pampers e Turma da Mônica. Como vocês podem ver pelas imagens, a fralda tamanho P da Turma da Mônica é visivelmente menor que a fralda Pampers tamanho P.


O fabricante, inclusive, indica que a fralda P Turma da Mônica serve para bebês com até 6kg. 



Já a Pampers diverge. Peguei dois pacotes, ambos tamanho P. Um deles diz que a fralda veste bebês até 7,5kg. Já o outro pacote da mesma marca indica o uso até 8kg. Ou seja, não há um padrão. Melhor mesmo é ficar atenta para não começar usando o tamanho P "grande" e perder as fraldas P "pequenas". 



terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Banho de ofurô: relax total

O assunto de hoje é banho. Embora já tenhamos falado muito sobre esse assunto por aqui, tem novidade (pelo menos para mim) na área: banho de ofurô. Minha primeira filha usou somente banheira convencional. Lembro que achei o ofurô caro demais quando fui comprar seu enxoval. "Mais de R$ 100,00 por um balde de plástico? Não, usaremos banheira mesmo". Com minha caçula eu também não tinha grandes pretensões de usar ofurô, não. Aliás, não sei com vocês, mas eu relaxei muito mais com a segunda filha em termos de planejamento. Deixei as coisas fluírem, aproveitei praticamente tudo que ainda tinha da minha primeira filha. A banheira anterior eu já havia doado, mas uma amiga queridíssima me emprestou a banheira da filha dela. Uma banheira ótima, grande, confortável, bem equipada. Aceitei de bom grado. Aliás, adoro receber herança dos bebês dos outros. Risos... Mas aí, no dia que saí às compras de algumas coisinhas do enxoval que estavam faltando, me deparei com o ofurô por um preço maravilhoso. Não tenho certeza, mas acho que não paguei nem R$ 40,00 por ele. Decidi trazê-lo pra casa. Foi a melhor coisa que fiz.

Ofurô Plasútil.
Minha filha tomou seu primeiro banho molhado somente após o umbigo ter caído. Foi orientação do pediatra e eu segui direitinho. Antes disso, só tomou o chamado banho seco (algodão molhado em água morna). Segundo o pediatra, quando mais se molha o coto umbilical, mas ele pode demorar a cair ou ter algum tipo de infecção por não ter sido higienizado ou secado corretamente. Na dúvida, segui a recomendação médica. O primeiro banho molhado foi dado na banheira. Mas, como era de se esperar, minha filha não aprovou muito, não. Se sentiu perdida mesmo eu estando com ela no colo. Eu me molhei bastante justamente porque mantive ela colada em mim para que ela se sentisse mais acolhida e sem frio. No dia seguinte, resolvi testar o ofurô. A reação dela mudou da água pro vinho. Assim que ela foi submersa na água morninha, parou de chorar e relaxou. Relaxou tanto que soltou logo 3 puns seguidos. Risos... Foi maravilhoso. Com ela relaxada, pude banhá-la sem pressa. Passei sabonete na sua cabecinha, no corpinho... Não foi só ela que relaxou, não. Aliás, qual mãe não relaxa ao ver seu bebê tranquilo? Minha filha só chorou quando foi retirada do ofurô. Queria passar o dia na vida boa. Risos...

Assim como a banheira, o uso do ofurô requer alguns cuidados. O primeiro deles (e bastante óbvio, por sinal) é JAMAIS NUNCA DE FORMA ALGUMA deixar o bebê no ofurô sem supervisão e sem segurá-lo. As tragédias acontecem em questão de segundos. Então, atenção nunca é demais.
Base antiderrapante.

O ofurô que comprei tem capacidade para cerca de 17L de água. É bastante água. A recomendação é colocar um volume de água que permita que o bebê fique com os ombros submersos. Assim, ele sentirá menos frio, ficará mais confortável e poderá curtir melhor esse banho tão relaxante. 

Antes de cada uso, eu esterilizo o ofurô jogando água fervente dentro dele. Portanto, tive o cuidado de procurar um produto livre de bisfenol A (BPA free), livre de toxidade.
 
BPA free.

Outro fator que observei foi que as bordas do ofurô são arredondadas, evitando que o bebê se machuque. A base é antiderrapante, evitando deslizamentos. 


Não tem muito segredo para usar o ofurô. Basta colocar água numa temperatura agradável (em torno de 37º C), colocar o bebê dentro e curtir o relax. Algumas pessoas seguram o bebê pelo pescoço. Eu prefiro passar a mão por baixo das axilas da minha filha. Me sinto mais segura assim. Mas não tem receita nem manual, cada mãe-bebê devem encontrar a forma como se sentem mais confortáveis. 
Diferentes formas de se segurar o bebê no ofurô.

O modelo que comprei tem um grande adesivo na parte de trás com instruções importantes.







Outra dica importante: não esqueça de apoiar o ofurô numa superfície firme. Embora o bebê esteja sendo segurado por você, não dá para arriscar, né? Imagina o balde virando, a água toda derramando e, o pior, o risco de machucar o bebê? Eu acabei colocando o ofurô no chão mesmo. Me agacho e dou banho nela assim. 

Pra finalizar, uma foto da minha pequenininha curtindo seu banho super relaxante.



"Mamãe, esse tal de ofurô é legal mesmo. Relaxei tanto que fiquei zarolha". Risos...

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Descobrindo o sling

O título da postagem já fala por si só: estamos descobrindo o sling. Quem acha que segunda gravidez é igual à primeira, que não há mais novidades e que mãe de segunda viagem sabe tudo está redondamente, quadradamente, triangularmente e todas as formas geométricas, enganado. Por aqui, todo dia descubro algo novo com minha segunda filha. A lição de hoje foi aprender a slingar. Com minha filha mais velha, usei o canguru. Mas além dele não ser recomendado para bebês recém nascidos que ainda não sustentam a cabeça, o sling me parece mais confortável e acolhedor. Estou longe de ser uma profunda conhecedora do assunto, mas o pouco que sei e li me deu confiança para testar esse acessório. Aproveitei que hoje tinha coisa para fazer em casa e minha filha não estava muito afim de ficar no berço e resolvemos slingar. Usei o wrap sling, ou sling de amarração. O primeiro passo é aprender a amarrá-lo com segurança para o bebê ficar bem aconchegado. Uma amiga fez a gentileza de me emprestar um sling e me ensinar a utilizá-lo. Na internet é fácil encontrar instruções de como manusear os diferentes tipos de sling, seja o de amarração ou o de argola. Tentei reproduzir as instruções que minha amiga me passou, mas amarrei o sling mais frouxo do que deveria. Fiquei bem atenta para que minha filha ficasse confortável mesmo com o sling largo. Usamos por cerca de 1h e em casa. Como eu não ia caminhar muito, não vi problema do sling ficar frouxo. Mas, lembro que é importante que o sling fique bem ajustado para que o bebê fique seguro e não corra risco de se machucar. A foto abaixo mostra que minha filha aprovou o sling. Enquanto mamãe cozinhava e costurava, bebê curtiu uma soneca gostosa coladinha em mim. Acho que essa é a maior vantagem do sling: ter o bebê colado em você, sentindo sua temperatura e ouvindo seu coração ao mesmo tempo que você tem as mãos livres para fazer mil e uma coisas. As mães, especialmente aquelas sem empregada nem babá como eu, agradecem. 

  

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O relato do NOSSO parto

Voltei! Depois de meses sumida, aqui estou. Peço perdão pela ausência. Não é fácil conciliar tantas coisas: filha, gravidez, marido, casa, trabalho, roupa, louça, comida e esse leriado todo que 90% das mulheres conhecem bem. Mas agora estou aqui, com menos tempo que antes e muito, muito, muuuuito mais feliz e completa. O motivo? Nasceu! Minha menina, minha benção, minha caçulinha. Nasceu da minha coragem, do meu medo, dos meus berros, das mordidas no braço do meu marido. Sem anestesia, com cesárea prévia, com hérnia de disco. Nasceu! E vim aqui compartilhar o relato do nosso parto.

Há 16 dias, eu estava revivendo a maior alegria da minha vida. Embora tenha sido meu segundo parto, foi um momento absolutamente ímpar. Não há como comparar os dois partos, não há como medir a emoção que senti naquele 17 de agosto de 2012 nem agora, dia 03 de fevereiro de 2015. Aliás, não conheço escala para medir emoção. Emoção a gente sente. E só.


Acordei bem e disposta no dia 03 de fevereiro. Assim como ocorreu na véspera do meu primeiro parto, fui deitar sem jantar. Não tinha fome. Na manha do dia 03, rotina normal: acordar filha mais velha, preparar seu café da manha enquanto ela grita do quarto "mamanhê, meu leite!", pôr o uniforme da escola, escovar dentes e todo aquele roteiro que as mães conhecem bem. Na hora de sair, minha filha pediu colo. Eu dei, mesmo já estando com 38 semanas e 3 dias de gestação. Quando a peguei no colo, imaginei que teria alguma consequência. Afinal, qualquer hora era hora. Mesmo assim, dei o colo que ela pediu. Quem é mãe sabe o quanto é difícil negar colo para um filho. E também nunca saberei se este fato teve alguma influência no parto. Enfim... 


Ela foi pra escola com meu marido e eu comecei a sentir um leve incômodo nas costas. Uma luzinha acendeu na minha cabeça. Decidi não tomar café da manhã. Preferi me deitar e observar. As contrações vinham e iam ainda meio descoordenadas. Comecei a marcar o tempo de duração das contrações e o intervalo entre elas. Percebi que, de fato, havia chegado a hora. Fui então recolocar as roupinhas da minha filha na bolsa, que eu havia tirado na véspera para ozonizar na máquina de lavar roupas. A cada roupinha que eu colocava na bolsa, as contrações vinham mais fortes. Liguei para meu marido. Ele estava naquele momento na fila de espera para autorizar minha internação para o parto. Falei, calmamente, que ele tentasse voltar para casa logo em seguida porque eu tinha entrado em trabalho de parto. Falei também com meu irmão, médico. Ele pediu para eu marcar o tempo de cada contração. Elas duravam, em média, 55 segundos e o intervalo entre elas era de cerca de 3 minutos. Ele disse que aparentemente pareciam mesmo contrações verdadeiras. Tomei um bom banho e foi impossível conter a emoção debaixo do chuveiro. Dentro de poucas horas, minha filha estaria comigo. Agradeci a Deus, pensei na minha filha mais velha na escola e as lágrimas rolaram novamente. Liguei para minha obstetra. Depois de algumas tentativas frustradas, enfim consegui contato. Ela me orientou a ir para a maternidade. 

No caminho, as contrações aumentaram consideravelmente. Perdi as contas de quantas vezes meu útero se contraiu no trajeto. Chegando à maternidade, percebi o quanto os hospitais e profissionais estão despreparados para lidar com esse processo tão natural e corriqueiro que é um parto. A impressão que tive foi que naquela maternidade só chegam mulheres com partos agendados. O recepcionista tremia feito vara verde e não conseguia sequer manusear o mouse para inserir meus dados no sistema. A cada contração que eu sentia, ele tremia na cadeira. Seria cômico se não fosse alarmante. Minutos depois uma funcionária apareceu informando que não havia leitos no hospital. A funcionária foi até atenciosa, contactou minha obstetra e, entre uma contração e outra, entendi que ficaríamos lá e o problema do leito seria resolvido. 

Subi numa cadeira de rodas para uma sala de pré operatório. Meu marido, irmão e cunhada (também médica) subiram comigo. Minha mãe e irmã ficaram aguardando na recepção do hospital. Logo que entrei na sala de pré operatório, fui orientada a vestir uma bata. Enquanto trocava de roupa, perdi o tampão. Ainda aguardei sentada na cadeira de rodas por algum tempo, o que não foi muito confortável. Em seguida, me pediram para deitar em uma maca. Não sei dizer quanto tempo fiquei deitada ali. Sei que minha cunhada e uma enfermeira de olhos cor de mel foram dois anjos. Massagearam minhas costas, emprestaram as mãos para eu apertar. Não sei como não quebrei a mão delicada e magra da minha cunhada. As contrações vinham cada vez mais fortes, em intervalos menores e durando mais tempo. Ouvi minha cunhada e meu irmão pedindo um médico para avaliar minha dilatação. Meu marido tentava contactar minha obstetra para colocá-la a par do processo. Algum tempo depois, uma obstetra me faz um exame de toque. Ela informa para as enfermeiras ao redor que estou com 8 cm de dilatação, mas no meio daquela dor lancinante eu entendi 2 cm. Ainda deu tempo de eu pensar "2 cm e essa dor infernal?" Em questão de segundos, mil pensamentos passam pela sua cabeça. Na hora, lembro de comparar com o trabalho de parto da minha primeira gestação: com 5 cm de dilatação daquela vez, a dor era perfeitamente suportável, então porque agora com 2 cm dói tanto?" Foi quando alguém perguntou de novo "quantos centímetros, doutora?" Ela repetiu: 8 cm com colo bem fino. Então pensei: "caramba, tô em pleno trabalho de parto e dilatei 8 cm em 2h!" Até então, eu tinha indicação médica de parto cesariana por causa da hérnia de disco na lombar, que resolveu dar o ar da graça logo no primeiro trimestre da minha primeira gestação. Apesar da hérnia, eu sempre quis um parto normal. Aliás, antes de engravidar eu já queria viver a experiência de dar à luz, de parir um filho eu mesma, de ser protagonista da minha história. Mas diante da provável complicação, acabei desistindo. Imagina aí: um bebê recém-nascido, uma filha de 2 anos e meio e uma hérnia de disco estourada? Essa conta não fecha. Só quem já sofreu com hérnia sabe o martírio que é. Fiquei meses de cama na minha primeira gestação, sem conseguir sentar nem andar. Fui obrigada a tirar licença do trabalho por 6 meses. Imagina aquele tormento de novo, mas agora com duas crianças dependentes de mim. Achei injusto também com meu marido, que teria que segurar as pontas em casa com uma mulher acamada e duas filhas pequenas. Achei que não valeria à pena correr o risco e me conformei. Talvez Deus não tivesse reservado para mim essa missão. Acredito que tudo acontece como tem que acontecer. E foi assim que pensei: se não é para ser, que não seja. Não ficarei de luto por um parto que não evoluiu como eu desejava. Eu estava bem tranqüila com relação a isso. 

Voltando às contrações, elas vinham e iam bem mais intensas e agora, além da dor na lombar, eu sentia também dor no abdômen e um movimento lá nos países baixos. Minha cunhada explicou que era a dilatação. Pedi algum tipo de anestesia ou ao menos algum alívio para a dor. Mas os profissionais repetiram diversas vezes que somente minha obstetra poderia conduzir o procedimento e ela ainda não havia chegado. Insisti que não daria tempo esperar. Percebi que eles concordavam comigo, realmente não daria tempo esperar, mas cumpriram o protocolo do hospital e não me aplicaram nenhum medicamento. Algum tempo depois, minha cunhada pediu para a obstetra do hospital me reavaliar. Ouvi quando a enfermeira disse que ela havia entrado numa cesariana. Falei quase gritando que minha filha ia nascer ali. A enfermeira me orientou a não fazer força. Mas era quase involuntário. Meu corpo fazia força quase sem eu querer e eu sentia que dentro de minutos, Alice nasceria. Não sei precisar quanto tempo passou, mas fui levada na maca onde eu estava para outra sala que me pareceu ser um centro cirúrgico. Foi difícil passar da maca para a mesa de cirurgia, dura e muito estreita. Assim que passei, virei de lado. A enfermeira me pediu para deitar com a barriga para cima, mas me sentia mais confortável deitada sobre meu lado esquerdo. Estava ali naquela sala, agora sem meu marido, irmão e cunhada. Mas vi os olhos cor de mel daquela enfermeira entre os vários rostos naquela sala e a reconheci. Pedi para ela ficar ao meu lado e apertei forte a mão dela a cada contração. Depois me dei conta de que, além de apertar a mão dela, eu mordi meu próprio braço esquerdo. Até hoje os hematomas não sumiram. Perguntei pelo meu marido e me informaram que ele estava logo atrás da porta. Pedi para ele entrar. Nesse intervalo, um anestesista apareceu ao meu lado e se apresentou. Pedi uma anestesia. Ele disse a frase que me impactou: "não há mais tempo para anestesia. Você vai ter seu bebê de parto normal". Minha ficha caiu ali. Eu queria anestesia, sim, mas queria mais ainda que minha filha nascesse de parto normal. Não sei explicar o que senti naquele momento. Sei que um torpor tomou conta do meu corpo. Eu tive medo. Medo de não conseguir, medo de ser fraca... Mas ao mesmo tempo, eu me senti uma leoa. Senti como se eu fosse a mais corajosa de todas as criaturas. É tudo tão intenso num parto natural que acho que você consegue viver todas as emoções do mundo em questão de segundos. Lembro de ter informado ao anestesista sobre a hérnia. Ele coçou a cabeça e disse: "uma hérnia? Sério?" E saiu com um ar tenso. Eu, na verdade, esqueci a bendita hérnia. Lembrava dela, mas esqueci que ela poderia sair com o esforço do parto. As dores eram tão intensas que eu só queria que minha filha nascesse, nem que depois eu ficasse aleijada. 

Perguntei novamente pelo meu marido e ouvi alguém responder que ele estava logo ali do lado de fora. Falei bem alto: "pois eu quero ele aqui dentro agora!". Depois vi que fui grosseira. Ou não. Era meu direito ter meu marido comigo. E ele veio. Se não fosse o braço dele me dando força, não sei se eu teria conseguido. Não só a força psicológica, mas a força física mesmo. Eu estava numa cama estreitíssima sem nenhuma alça para me apoiar e fazer força. Puxei tão forte o braço do meu marido que ele quase caiu em cima de mim. Puxei, arranhei, mordi... Eu realmente estava me comportando de forma animalesca. Entre uma contração e outra, consegui obedecer aos pedidos do anestesista e das enfermeiras para me posicionar melhor, de barriga para cima e com as pernas nas perneiras. Eles foram pacientes e esperaram eu me posicionar lentamente. Em nenhum momento fui contida ou amarrada como, infelizmente, acontece com muitas mulheres. Ouvi uma parteira ou enfermeira dizer para o anestesista que ele precisaria romper a bolsa. Ele novamente coçou a cabeça. Certamente fazia anos que ele não realizava um parto. Imagino o que deve ter se passado na cabeça dele: sou um anestesista e estou aqui fazendo o parto de uma paciente com hérnia discal. Ele olhou para um lado, olhou para o outro e disse: "é, vamos lá, vamos ter que fazer". Esperou a próxima contração e rompeu minha bolsa. O anestesista ficou banhado de líquido amniótico. A dor da contração virou fichinha perto da dor que senti nesse momento. Gritei alto. Tão alto que acho que toda a maternidade ouviu. Quando a dor passou, uma enfermeira veio até meu lado direito, bem perto do meu rosto e disse: "você precisa nos ajudar. Coloca o queixo no peito e faz força pra baixo. Seu bebê vai nascer". Eu ainda tentei ficar na posição que ela pediu, mas a hérnia não deixou. Segundos depois, uma contração violenta. Agarrei o braço do meu marido. E então eu fiz a maior força que fui capaz. Berrei: "Vem, Alice, veeeeem!" De repente, um alívio. Senti todas as minhas entranhas escorregando por entre as minhas pernas. Me calei e só ouvi o silêncio. A dor foi embora como um milagre. E então eu ouvi o som mais lindo de todo o universo: o choro da minha filha. A minha menina estava ali, em cima do meu peito, com os bracinhos abertos como se quisesse me abraçar. Logo ela parou de chorar. Ela estava quentinha e tinha a pele delicada. Analisei cada pedacinho dela, senti um cheirinho bom... Ficamos assim por um tempo que não sei mensurar. Parecia um milagre. Não havia mais dor, não havia mais medo. Eu tinha conseguido. Eu havia parido minha filha, minha caçula, na raça, no grito, sem anestesia. Foi o nosso parto, natural, sem intervenções, sem coadjuvantes. Fomos as protagonistas desse momento tão sublime. Deus me permitiu esse milagre.




"E aí você surgiu na minha frente
E eu vi o espaço e o tempo em suspensão
Senti no ar a força diferente
De um momento eterno desde então..."

terça-feira, 9 de setembro de 2014

"Bye, bye, chupeta, não precisa voltar..."



Sobre o fim da fase oral: bye bye chupeta e mamadeira.



Sei que chupeta é sempre um assunto polêmico: tem quem condene, tem que defenda. Tem quem não se importe em ver o filho andar com chupeta pendurada na boca até 5, 6, 7 anos de idade. Tem que prefira que o bebê chupe o dedo. Tem quem faz peito de chupeta. O mundo é diverso e eu respeito a decisão de cada mãe. O que vou falar aqui é o que EU penso. Pus EU em letras maiúsculas e destacado para frisar bem que o que vou dizer aqui não é verdade absoluta e nem a única maneira correta de se pensar. Aliás, nem sei se é a maneira correta. Mas é como penso e ajo. Não estou ditanto regra nem julgando quem faz diferente. Mas, vamos lá, foco na chupeta. Ou na ausência dela.


A medicina já sabe que uma das fases da primeira infância é a fase oral. Todo bebê vai vivê-la. Isso quer dizer que eles necessitam descobrir o mundo pela boca. Se a gente reparar, eles amadurecem de cima pra baixo. A primeira coisa na vida que dominam é a boquinha. Ao nascer, a única coisa que os bebês sabem é sugar. Depois de um tempo, passam a sustentar pescoço. Depois conseguem ter alguma coordenação com as mãozinhas. Em seguida, dominam o tronco e se mantêm sentados por algum tempo. Depois conseguem algum domínio de pernas e engatinham. Só depois de tudo conseguem domínio para caminhar. E durante todo esse amadurecimento eles vivem a fase oral.

A fase oral precisa ser respeitada. A criança precisa sugar, seja a chupeta, seja o dedo, seja o peito da mãe. Muitas mães (e me incluo nesse grupo) optam pela chupeta. No início, minha filha não gostava de chupeta. Eu a colocava em sua boquinha e ela cuspia longe. Com alguns meses de vida, passou a aceitar. Mas eu sempre pensei na chupeta como um acessório que não precisava ser usado 24h por dia. Ela tinha meu peito, fazia de 6 a 8 refeições por dia (e cada mamada durava uma eternidade). Então não havia razão para usar chupeta nesses intervalos sem “motivo”. E o que eu chamo de motivo era: choro inconsolável, picadinha de vacina, não encontrar o caminho do sono... Minha filha  jamais brincou com chupeta na boca, jamais tomou banho com chupeta, jamais passeou feliz da vida com chupeta na boca. Não. Só usava quando "precisava". Acho que isso tornou o desapego mais fácil. Aliás, tenho absoluta certeza. Quando tinha 1 ano e 8 meses, ela simplesmente parou de pedir a chupeta para dormir. Eu não dava toda noite, não. Esperava ela pedir. Ela parou de pedir, eu parei de oferecer. Mas aí 2 semanas depois ela adoeceu, ficou muito abatida, não comia absolutamente nada. Nem água bebia. Então eu melava a chupeta no leite pra ver se ela se alimentava. Resultado: ela voltou a usar a plasticuda pra dormir. Tudo bem, eu dei sem remorso. Ela tinha 1 ano e 8 meses, ainda era um bebê e nunca usou com excesso.

Ao entrar no consultório do pediatra mês passado, na consulta de rotina dos 2 anos, ele (que me conhece desde que nasci, pois foi meu pediatra) fez os elogios de costume, se derreteu como sempre e disse: quer dizer que essa moça fez 2 anos ontem? E eu respondi: pois é, dr. X, deixou de ser bebê e passou a ser criança. E ele completou: essa era exatamente a frase que eu queria ouvir. Porque tem muita mãe que não entende e não aceita que existem as transições e a criança precisa amadurecer. E acaba dificultando tudo. Muitas vezes, a criança está pronta para seguir adiante, mas os pais, consciente ou inconscientemente, não querem que o filho cresça.

Tivemos uma conversa muito importante e esclarecedora sobre a chupeta e o fim da fase oral. A fase oral, como falei, deve ser vivida e respeitada. Mas como todas as fases da vida, ela tem um fim. E esse fim acontece em torno de 1 ano e 9 meses. Então percebi que minha filha largou a chupeta por conta própria um mês antes dessa idade. Ou seja, ela já estava sinalizando que estava pronta para deixar para trás essa etapa. Após essa idade (em torno de 1 ano e 9 meses), a criança não tem necessidade de sucção nem de descobrir o mundo pela boca. Claro que não é algo cronometrado: fez 1 ano e 9 meses e precisa imediatamente largar a chupeta. Não é assim, afinal não estamos falando de um cálculo matemático, exato. Por isso é que se dá uma “tolerância” de 3 meses, até a criança fazer 2 anos de idade. Conheço crianças que largam a chupeta, por conta própria, bem antes dos 2 anos. Segundo o pediatra (e segundo o que eu penso também), prolongar essa fase oral traz prejuízos para a criança. E o menor deles é a arcada dentária. Arcada se corrige com aparelho. Hoje em dia é a coisa mais fácil do mundo. O que é difícil corrigir mesmo é o prejuízo psicológico que a chupeta PODE trazer. Novamente usei letras maiúsculas para destacar o “pode”. O que vou falar aqui não é uma sentença, uma verdade exata. É uma possibilidade. Pode acontecer, pode não acontecer. Mas se tem chance de acontecer, eu evito. Não pago pra ver, ainda mais quando a “moeda” em questão é minha filha. Jamais. Se tem chance de dar errado, eu não arrisco. Então, o pediatra me mostrou um série de estudos que mostram estreita relação entre uso prolongado de chupeta e adultos inseguros e problemáticos. Ele disse que quanto mais se prolonga o uso da chupeta além dos 2 anos, maior é a probabilidade de se ter um adulto inseguro no futuro. Conversei com a psicóloga da escola da minha filha e procurei algumas referências sobre o assunto que reforçaram o que o pediatra disse. Aos 2 anos (na verdade, até antes disso) a criança não tem nenhuma, absolutamente nenhuma necessidade de sucção, portanto não tem necessidade de usar chupeta nem mamadeira. Prolongar a fase oral é como nadar contra a correnteza e querer lutar contra o amadurecimento natural da criança, que precisa aprender a se acalmar (caso a chupeta seja usada para esse fim) de outras formas. Cabe aos pais guiar os filhos na busca dessa nova forma de “consolo” para as frustrações da vidinha da criança. Dá trabalho? Lógico que dá. Existe alguma fase da vida de um filho em que mães e pais não tenham trabalho? Se tem, eu desconheço. Mas é preciso enfrentar. É mais fácil mesmo deixar a criança usar a chupeta por 3, 4, 5 anos e esperar que ela, por si só, queira deixar a chupeta de lado. Mas, na minha opinião, da mesma forma que um pai não permite que seu filho coma comida do chão porque faz mal, não deve deixar que a criança viva a fase oral tardia. Ou por acaso você espera que seu filho tenha compreensão de que o chão é sujo e até lá ele vai comer comida do chão? Claro que não. Você orienta porque sabe que isso é o certo. Por que não fazer o mesmo com a chupeta? Conheço pessoas que até começam o processo de retirada da chupeta, mas depois cedem aos apelos da criança. O pequeno chora, esperneia, os pais cedem e entregam a plasticuda calmante. A criança, claro, se acalma. No dia seguinte, tudo outra vez: chupeta desaparece, escândalo, chupeta renasce das cinzas. Imagina a confusão na cabeça dessa criança. Isso, sim, é traumático. Não seria mais fácil sentar e conversar com a criança, explicar que ela não precisa mais da chupeta? Ela pode até chorar um momento. É natural, né? Mas ela vai compreender. Os adultos, às vezes, subestimam a capacidade de entendimento dos pequenos.
Crianças com desenvolvimento cognitivo dentro do padrão, que nasceram a termo e que não tem deficiências psicológicas são, sim, capazes de compreender. O processo de “deschupetamento” é, às vezes, mais difícil para os pais do que para os filhos.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

É menino ou menina?



Na sala de espera para a consulta de pré-natal, as grávidas normalmente viram alvo de perguntas. Eu até gosto, ajuda a passar o tempo já que consulta com essa médica é sinônimo de tarde inteira de espera. E como minha GO está super-hiper-mega-ultra seletiva em aceitar pacientes de obstetrícia, sou praticamente a única grávida por lá. Ou seja, sou o alvo das perguntas da mulherada. A sabatina dessa vez foi o sexo do bebê. Quando falo que ainda não sei se espero menino ou menina, todo mundo me olha torto. “Como assim não deu pra ver ainda com essa barriga desse tamanho?” Quando digo minha idade gestacional, as fisionomias mudam. Percebo um olhar de compreensão misturado ao espanto de uma barriga de 6 meses em uma grávida de 3 meses. Depois de ouvir (sempre!) se espero gêmeos, logo alguém sugere o exame de sexagem fetal. Acho muito legal a ciência ter avançado ao ponto de nos permitir descobrir o sexo do bebê com quase 100% de certeza, a partir da 8ª semana de gestação. De verdade, acho isso fantástico, ainda mais sendo uma cientista. Mas EU (vejam bem, não estou ditando regra, só estou dizendo o que eu penso) prefiro esperar um pouco, até que se consiga ver no ultrassom o sexo do bebê. Se conseguir com 12 semanas, bem. Se não, tudo bem também. Quando o bebê quiser se mostrar, eu vejo. Enquanto não quiser, eu aguardo. Eu quero saber, mas não precisa pressa. Mas o que me intriga é algumas pessoas não compreenderem isso. Eu entendo quem não consegue controlar a ansiedade e quer saber o sexo do bebê logo que possível. Os motivos são os mais diversos: querer falar logo com o bebê pelo nome, querer comprar logo as roupinhas, saber logo se o bebê é a menina ou o menino que você já sonhava mesmo antes da concepção... Cada um com suas razões. Mas EU não vejo necessidade de saber imediatamente. Prefiro curtir o bebê simplesmente como bebê, curtir o início da gestação, a expectativa de saber quem vai chegar e desvendar o “mistério” quando o bebê achar que chegou a hora de acabar essa brincadeira de esconde-esconde. Acho legal me conectar, por um tempo, com esse amontoadinho de células que se transforma em uma pessoa sem saber se seu DNA carrega cromossomos XX ou XY. Em um mundo onde tudo é tão imediato, onde as coisas acontecem tão depressa, onde a informação viaja numa velocidade assustadora, não vejo problema em se esperar até 12, 13 ou 15 semanas para saber o sexo do meu filho. Ou da minha filha. “Nossa, que estranho, pois eu fiz sexagem fetal assim que me disseram que eu podia”. Não me acho estranha por recusar a sexagem fetal PRA MIM assim como não lhe acho estranha por fazer o exame. Na verdade, eu já sei quem mora aqui. Soube em um sonho, sem precisar de sexagem fetal, sem precisar de US, há bastante tempo atrás. Mas o mundo aí fora vai ter que aguardar um pouquinho ainda porque quero contar o sexo em uma surpresa pra todo mundo ao mesmo tempo :) Nesse mundo tão corrido, um teste de paciência assim até que cai bem. Risos...